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Código aberto, ou open source, é o modelo de desenvolvimento em que o código-fonte de um software fica disponível para qualquer pessoa baixar, estudar, modificar e redistribuir. O Linux, sistema operacional que compete diretamente com o Windows, é o exemplo mais conhecido do modelo.
O tema deixou de ser assunto de nicho técnico. Segundo o 10th Annual Open Source Jobs Report , elaborado pela Linux Foundation em parceria com a edX, 93% dos gestores de contratação relatam dificuldade para encontrar profissionais com habilidades em código aberto.
Outros softwares seguem a mesma lógica, embora o Linux continue como a porta de entrada mais comum para quem começa a estudar o tema. Conhecer as regras desse modelo é cada vez mais relevante para quem atua ou pretende atuar em TI.
O termo vem da tradução do inglês “open source”. Ele designa softwares cujo código-fonte, a sequência de instruções escritas em linguagem de programação que faz o programa funcionar, está disponível para download livre.
Qualquer pessoa pode baixar esse código, usá-lo e modificá-lo. É a versão mais simples de um software, tal como foi escrita pelo programador que o criou, antes de qualquer compilação.
O código aberto surgiu como alternativa ao código fechado, que depende de licenciamento e de proteção de direitos autorais. Para usar um software fechado, a empresa contratante precisa negociar a licença com o fornecedor, já que modificações no código não são permitidas.
No modelo aberto, o criador abre mão da propriedade intelectual sobre o código, o que permite que outros desenvolvedores o utilizem e modifiquem sem custo de licenciamento.
Entender como esse código-fonte é estruturado passa por conceitos de linguagens de programação e de engenharia de software , disciplinas que tratam da organização e da qualidade do que é escrito.
A Open Source Initiative (OSI), organização sem fins lucrativos responsável por avaliar as licenças de código aberto, publica a Open Source Definition , documento que estabelece os critérios oficiais do modelo.
A Open Source Initiative baseou sua definição no texto original do Debian Free Software Guidelines . Um programa qualificado como código aberto precisa atender critérios específicos.
Os primeiros softwares comerciais eram fechados: o acesso ao código-fonte, as modificações e a distribuição ficavam restritos à empresa criadora. O pacote Office, da Microsoft, e o iOS, da Apple, seguem esse modelo até hoje.
Nas décadas de 1980 e 1990, ganhou força um movimento na área de TI a favor do compartilhamento do código-fonte. Esse movimento consolidou a filosofia open source e deu origem ao conceito de código aberto tal como é usado hoje.
A diferença central entre os dois modelos está no acesso ao código-fonte. Softwares fechados também costumam ser pagos, enquanto a maioria dos softwares abertos é gratuita, embora gratuidade não seja regra em nenhum dos dois casos.
Software fechado geralmente vem com suporte contratado junto ao fornecedor. Já no código aberto, o caminho mais comum é recorrer a comunidades de desenvolvedores especializados ou à documentação disponível publicamente.
Exemplos de código fechado: iOS, Windows e Microsoft Office.
Exemplos de código aberto: Linux, Thunderbird, LibreOffice e GIMP.
A adoção de código aberto cresce porque cinco vantagens compensam os riscos do modelo: personalização, correção ágil de falhas, redução de custos, colaboração entre equipes de empresas diferentes e interoperabilidade com outras ferramentas.
Softwares open source entregam o código-fonte não só para leitura, mas para adaptação. Desenvolvedores podem alterar funcionalidades para atender necessidades específicas de uma equipe ou empresa, sem depender de aprovação do fornecedor original.
Essa personalização gera vantagem competitiva direta, uma vez que cada equipe adapta a ferramenta ao próprio fluxo de trabalho, em vez de adaptar o fluxo de trabalho à ferramenta que comprou.
Diferente do software fechado, o código aberto pode ser corrigido por qualquer desenvolvedor, a qualquer momento, sem esperar por uma atualização oficial do fornecedor. Falhas tendem a ser identificadas e corrigidas com mais rapidez, já que toda a comunidade tem acesso ao código e pode propor ajustes.
Processos estruturados de testes de software ajudam a formalizar essa correção contínua dentro de equipes que adotam ferramentas abertas em produção.
Softwares de código aberto normalmente não cobram licença de uso. A economia é direta. A gratuidade não é uma regra fixa, mas é predominante entre as opções mais usadas no mercado corporativo.
Empresas com equipe de desenvolvimento própria aproveitam essa vantagem com mais intensidade, já que conseguem fazer atualizações e adaptações sem comprar uma nova licença a cada mudança. O orçamento liberado costuma ser redirecionado para contratação de talento técnico.
No código aberto, melhorias feitas por um desenvolvedor se espalham para toda a comunidade que usa a ferramenta, em vez de ficarem restritas aos muros de uma única empresa. Programadores de empresas concorrentes chegam a trabalhar juntos na mesma base de código para resolver bugs e adicionar funcionalidades.
Esse tipo de cooperação depende de processos definidos, algo próximo do que práticas de gestão ágil em projetos de software propõem para equipes distribuídas em locais e empresas diferentes.
Soluções de código fechado costumam limitar a integração com softwares e dispositivos de outros fornecedores, o que complica a rotina de quem trabalha com múltiplas ferramentas. Softwares de código aberto, ao contrário, tendem a seguir padrões abertos de comunicação, o que facilita a integração com produtos de origens variadas.
Um profissional de TI que administra servidores Linux, bancos de dados PostgreSQL e ferramentas de containers como Docker sente esse ganho na prática, já que os três se conectam sem camadas extras de tradução entre sistemas.
Três desvantagens acompanham os benefícios do código aberto: risco de segurança, falta de organização na documentação e maior exigência técnica.
Como o código está disponível a qualquer pessoa, incluindo quem tem intenção maliciosa, falhas de segurança podem ser identificadas e exploradas antes de serem corrigidas. Esse risco é real, mas não é exclusivo do código aberto: softwares fechados também sofrem ataques, muitas vezes explorando engenharia social , técnica que manipula pessoas em vez do sistema.
A diferença está na visibilidade: no código aberto, qualquer pessoa pode auditar o código em busca de falhas, o que tanto ajuda quem quer corrigir quanto quem quer explorar.
O código aberto está em constante adaptação, o que nem sempre deixa tempo para produzir documentação organizada. Em muitos projetos mantidos por voluntários, a instrução de uso fica dispersa em fóruns, listas de discussão e arquivos de texto simples, dificultando o aprendizado de quem chega depois.
Projetos com patrocínio de empresas grandes, como o próprio Node.js, tendem a fugir dessa regra, já que contam com equipe dedicada à manutenção de guias oficiais. A qualidade da documentação, portanto, varia conforme o tamanho e a organização por trás de cada projeto.
Sem instruções centralizadas, programar com ferramentas de código aberto exige conhecimento mais aprofundado do que seguir um manual de software fechado. Esse é um dos motivos pelos quais empresas buscam profissionais certificados ou com formação específica antes de adotar essas soluções em produção.
A curva de aprendizado tende a cair quando o profissional passa por uma formação estruturada em programação, já que os fundamentos de lógica e de linguagens se repetem entre a maioria dos projetos abertos.
Oito softwares resumem a variedade do ecossistema open source, do sistema operacional ao ambiente de desenvolvimento.
O código aberto demorou para ser aceito pela indústria de software, mas hoje é padrão em boa parte da infraestrutura de tecnologia usada por empresas de todos os portes.
A demanda por profissionais qualificados, no entanto, não acompanha esse crescimento. No levantamento da Linux Foundation citado na introdução, 93% dos gestores de contratação relataram dificuldade para encontrar talentos com habilidades de código aberto.
Entre as habilidades mais buscadas, tecnologias de cloud computing e containers lideram a demanda: 69% dos empregadores e 71% dos próprios profissionais de código aberto apontam essas competências como as mais procuradas no mercado atual.
Para quem está decidindo entre carreiras de TI ou SI , entender essas exigências de mercado ajuda a escolher a trilha certa antes de investir tempo em uma especialização.
A lacuna de talento cria oportunidade concreta para quem se especializa: profissionais com histórico comprovado em projetos de código aberto tendem a receber mais propostas de trabalho do que a média do mercado de TI.
Quem já trabalha com código aberto no dia a dia, ou quer entrar nesse mercado, encontra um caminho estruturado nos cursos de tecnologia da Pós PUC-Rio Digital.
A Pós-Graduação em Desenvolvimento Full Stack , por exemplo, inclui o Sprint de Aperfeiçoamento “Do Zero ao Código”, módulo de 90 horas voltado para quem ainda não tem conhecimento de lógica de programação. O conteúdo cobre programação com Python, banco de dados e desenvolvimento web, base necessária para quem quer trabalhar com ferramentas de código aberto na prática.
Confira o conteúdo completo do curso de Desenvolvimento Full Stack e avalie se o Sprint “Do Zero ao Código” atende ao seu momento de carreira.
Código aberto é o modelo de desenvolvimento em que o código-fonte de um software fica disponível para qualquer pessoa baixar, estudar, modificar e redistribuir, sem depender de autorização do criador original.
Código aberto e software livre nascem de motivações diferentes. O software livre, defendido pela Free Software Foundation, prioriza a liberdade do usuário sobre o uso do programa. O código aberto, definido pela Open Source Initiative, foca no acesso e na modificação do código-fonte. Na prática, a maioria das licenças atende às duas definições ao mesmo tempo.
Não necessariamente. A maior parte dos softwares de código aberto é gratuita, mas a licença não exige preço zero. Empresas podem cobrar por suporte, hospedagem ou versões com funcionalidades adicionais, mesmo mantendo o código-fonte aberto.
Linux, Node.js, Git, Docker, PostgreSQL, VS Code (Code – OSS), Thunderbird e VirtualBox estão entre os softwares de código aberto mais usados por profissionais de TI, cobrindo áreas como sistema operacional, desenvolvimento web, controle de versão e virtualização.
Pode ser, desde que a empresa mantenha rotina de atualização e revisão de código. O acesso público ao código-fonte permite que falhas sejam identificadas rapidamente por uma comunidade ampla, mas também exige atenção redobrada, já que a mesma visibilidade vale para quem tenta explorar vulnerabilidades.
Contribuir começa pela leitura do código de projetos ativos em plataformas como GitHub e GitLab, seguida de participação em tarefas simples, como correção de documentação ou pequenos bugs. Formação estruturada em lógica de programação e linguagens específicas acelera esse processo.
Por Mauricio Schwingel
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