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Mais do que uma metodologia, a Gestão Ágil é uma filosofia que permeia a forma como projetos de software são concebidos, desenvolvidos e entregues.
Ela foi tema da palestra do primeiro dia da 2ª edição da Semana da Tecnologia: Transformação de Mercado, evento online organizado pela Pós PUC-Rio Digital entre 26 e 28 de agosto de 2025.
Quem compartilhou sua experiência em Gestão Ágil foi Rodrigo de Toledo, fundador da K21 e da Nower.
Toledo é instrutor certificado em Scrum e Kanban, facilitador do Management 3.0, doutor em Computação Gráfica pelo INRIA (França) e já formou mais de 10 mil profissionais em agilidade, liderança e gestão de produtos.
Confira a seguir os destaques da palestra proferida por ele, com o título “Domine a Gestão Ágil de Projetos de Software: O Essencial”.
Rodrigo de Toledo iniciou sua palestra provocando a audiência com uma questão fundamental: o que significa ser ágil?
A resposta, segundo ele, não reside na velocidade, mas na adaptabilidade.
Utilizando a analogia de um trem-bala versus um guepardo, Toledo ilustrou que, enquanto o trem-bala é extremamente rápido em linha reta, sua capacidade de mudar de rumo é praticamente nula.
Já o guepardo, mesmo não sendo o animal mais rápido em velocidade máxima, demonstra uma agilidade ímpar ao desviar de obstáculos e se adaptar rapidamente a novas situações em sua caçada.
Essa metáfora ressalta que a verdadeira Gestão Ágil busca a capacidade de mudar de direção, de se ajustar a novas realidades e de responder prontamente às demandas do ambiente. O termo "agilidade" quase foi batizado de "adaptabilidade" no manifesto ágil, o que reforça a centralidade desse conceito.
Para desmistificar a Gestão Ágil, Toledo revelou os três ingredientes do que ele chama de "molho secreto da agilidade":
Ele enfatizou que, mesmo que um método não tenha a palavra "ágil" no nome, se ele incorporar ciclos curtos de entrega e melhoria contínua, já pode ser considerado ágil.
Por outro lado, um método que se intitula ágil, mas opera com ciclos longos (como entregas a cada três meses), não é verdadeiramente ágil.
A melhoria contínua, em particular, é importantíssima. A ausência de retrospectivas, por exemplo, impede que um time seja genuinamente ágil, mesmo que siga 95% das práticas de um framework como o Scrum.
O foco no valor, o terceiro ingrediente, é o que garante que os esforços estejam alinhados com o que é mais importante para o cliente, gerando resultados tangíveis e utilizáveis.
Toledo traçou um paralelo entre a Gestão Ágil e o método científico. Ele argumentou que, enquanto as abordagens tradicionais de gestão de projetos muitas vezes se assemelham a um processo não científico, em que se tenta prever tudo antecipadamente, a agilidade abraça a experimentação.
Ao invocar a figura de Isaac Newton, o palestrante destacou que o método científico se baseia em levantar hipóteses, executar experimentos, coletar resultados, validar e, a partir daí, levantar novas hipóteses.
Essa é a essência da Gestão Ágil: um ciclo contínuo de aprendizado e adaptação. "Os métodos ágeis são o método científico aplicado ao desenvolvimento de produtos e serviços", resumiu Toledo, enfatizando que não existem requisitos fixos, mas sim hipóteses a serem validadas.
A eficiência na Gestão Ágil é intrinsecamente ligada ao conceito de lead time, que Rodrigo de Toledo definiu como a métrica mais ágil existente.
O lead time representa o tempo que leva para atravessar o "rio" do fluxo de valor, ou seja, o período entre o ponto de compromisso e a entrega final de algo utilizável. É a capacidade de resposta rápida, comparável ao tempo de reação de um guepardo.
Para ilustrar a importância de um lead time reduzido, o especialista compartilhou o case da empresa de viagens online eDreams, que, apesar de ter suas práticas de trabalho abertas aos concorrentes, não teme a concorrência porque possui o menor lead time do mercado. A frase "o segredo não é mais guardar segredo, o segredo é ter o menor lead time" resume essa filosofia.
Para embasar essa ideia, Toledo introduziu a Lei de Little, uma fórmula matemática que relaciona lead time, work in progress (WIP) e vazão (velocidade).
A Lei de Little demonstra que, para diminuir o lead time (tempo de entrega), mantendo uma velocidade constante, a única variável que pode ser reduzida é o WIP, ou seja, a quantidade de trabalho em progresso simultaneamente.
Essa conclusão, embora contraintuitiva para muitos, é fundamental na Gestão Ágil: menos coisas sendo feitas ao mesmo tempo resultam em entregas mais rápidas e eficientes.
Rodrigo de Toledo enfatizou que times de alta performance, um pilar da Gestão Ágil, podem render de 4 a 10 vezes mais do que um time normal.
Para alcançar esse patamar, são essenciais a multidisciplinaridade, a auto-organização e a altíssima colaboração.
Times multidisciplinares possuem todas as habilidades necessárias para completar o trabalho, enquanto a auto-organização permite que eles decidam diariamente quem fará o quê, sem a necessidade de um gerente distribuindo tarefas.
O número ideal de pessoas em um time, embora não seja uma regra fixa, geralmente esbarra em nove, conforme a literatura.
A colaboração é o motor desses times. Para fomentá-la, é preciso ter times dedicados, em que as pessoas são alocadas a um grupo e trabalham nele em tempo integral, em vez de atuarem em múltiplos projetos e trocarem constantemente de equipe.
Essa dedicação permite que os membros se conheçam profundamente, entendam como o outro pensa e espera receber o trabalho, resultando em um desempenho superior.
Uma das mudanças mais significativas na mentalidade da Gestão Ágil é a transição do foco em projetos para o foco em produtos e serviços.
Rodrigo de Toledo argumentou que, embora os projetos tenham seu espaço, eles são definidos por um início, meio e fim. Em contraste, produtos e serviços de sucesso, como o Gmail, não têm um fim, pois estão em constante evolução e aprimoramento.
A "projetização", que foi útil no passado como um "remédio" para problemas de gestão, tornou-se um "veneno" devido à complexidade excessiva, incerteza de valor e ineficácia.
A Gestão Ágil busca um estado de "fluxo contínuo", comparável ao estado líquido, onde as coisas fluem e se adaptam constantemente. Nesse modelo, a demanda está sempre chegando, sendo validada, trabalhada e gerando valor, em um ciclo de aprendizado contínuo.
Essa perspectiva é fundamental para empresas que buscam inovação e relevância a longo prazo.
Rodrigo de Toledo abordou os erros mais comuns na implementação da Gestão Ágil, destacando que a transformação não se resume a uma mera mudança de nomes ou estruturas.
Ele enfatizou que uma transformação ágil eficaz deve considerar quatro domínios:
Um erro frequente é focar apenas na mudança estrutural (como a criação de squads e sprints) sem considerar os outros aspectos.
É fundamental que a transformação ágil esteja alinhada com os negócios, entregando valor real. A cultura da experimentação e da colaboração é indispensável.
No aspecto técnico, a qualidade não pode ser negligenciada, com a implementação de testes automatizados e integração contínua.
A ausência de qualquer um desses pilares pode comprometer o sucesso da transformação.
Toledo ressaltou que, para times de desenvolvimento sêniores, o mais importante são os valores ágeis (ciclos curtos, melhoria contínua e entrega de valor), e não a adesão cega a um framework específico.
O Scrum, por exemplo, é um excelente ponto de partida, mas a melhoria contínua deve levar à adaptação do framework ao contexto de cada time e empresa.
A Gestão Ágil é uma filosofia de gestão de projetos que prioriza adaptabilidade e flexibilidade em vez de velocidade pura. Mais do que seguir um método, significa entregar valor em ciclos curtos, aprender continuamente e ajustar o rumo conforme o contexto.
Segundo Rodrigo de Toledo, os três ingredientes essenciais da Gestão Ágil são:
Assim como no método científico, a Gestão Ágil funciona com hipóteses que são testadas, validadas e ajustadas continuamente. É um processo de experimentação e aprendizado, em contraste com modelos rígidos e preditivos.
O Lead Time é o tempo entre o início do trabalho e a entrega final. Ele mede a capacidade de resposta da equipe. Reduzir o Lead Time é fundamental para aumentar a eficiência e entregar valor rapidamente.
A Lei de Little mostra que, para reduzir o Lead Time, a principal variável de controle é o WIP (Work in Progress). Ou seja: quanto menos tarefas simultâneas, mais rápido é o fluxo de entrega.
Times ágeis de alta performance são multidisciplinares, auto-organizados e colaborativos. Trabalham dedicados a um mesmo fluxo, conhecendo profundamente uns aos outros, o que potencializa a produtividade.
A Gestão Ágil busca migrar de um modelo baseado em projetos (com início, meio e fim) para um modelo contínuo de evolução de produtos e serviços, como ocorre com o Gmail ou outros sistemas em constante atualização.
O Scrum pode ser um ótimo ponto de partida, mas a verdadeira Gestão Ágil está na adoção dos valores ágeis — ciclos curtos, melhoria contínua e foco no valor — que podem ir além de qualquer framework.
*Este conteúdo foi elaborado com o apoio de IA
Por Olivia Baldissera
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