Neurociência e Saúde Mental: conexões entre o cérebro, emoções e comportamento

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Tassiane Valin • 8 de janeiro de 2026

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    A neurociência é uma área do conhecimento que estuda o sistema nervoso, suas estruturas, funções e como ele influencia diretamente o comportamento, as emoções e os processos mentais. Seu objetivo central é compreender como o cérebro e demais componentes do sistema nervoso processam informações, regulam o corpo e produzem experiências humanas, como pensamentos, sentimentos, memória, aprendizagem e tomada de decisão.

    O termo “Neurociência” surgiu oficialmente em 1963, com a criação do Neurosciences Research Program, marcando o início de um campo interdisciplinar que envolve áreas como Psicologia, Educação, Medicina, Neuropsiquiatria, Biologia e até mesmo Inteligência Artificial.

    Desde então, a neurociência tem ganhado grande destaque mundial, especialmente devido ao avanço tecnológico e ao crescente interesse em compreender os mecanismos cerebrais relacionados à saúde mental e ao comportamento humano.

    Em âmbito internacional, Brasil, México e Argentina se destacam na América Latina pela quantidade de produções científicas voltadas à neurociência. Esse crescimento demonstra a relevância do tema também no contexto educacional e clínico, trazendo contribuições importantes para entender transtornos mentais, funcionamento emocional e estratégias de intervenção terapêutica.

    No campo das emoções, por exemplo, a neurociência mostra que elas não são apenas sentimentos abstratos, mas respostas biológicas com circuitos específicos no cérebro. Há sistemas responsáveis por emoções positivas, como prazer e alegria, e outros ligados a emoções negativas, como medo e tristeza, envolvendo estruturas como a amígdala, hipotálamo e hipocampo. Assim, a neurociência nos ajuda a compreender como o cérebro sente, reage e aprende com o mundo ao nosso redor.

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    Como a neurociência contribui para o entendimento dos transtornos mentais

    A neurociência tem desempenhado um papel fundamental no avanço da compreensão sobre os transtornos mentais, ao investigar como estruturas cerebrais, neurotransmissores, circuitos neurais e mecanismos biológicos se relacionam com comportamentos, emoções e processos cognitivos.

    A partir dessa perspectiva, tornou-se possível compreender que os transtornos mentais não são apenas fenômenos subjetivos ou comportamentais, mas estão profundamente enraizados no funcionamento cerebral, sendo influenciados por fatores genéticos, epigenéticos, ambientais e sociais.

    Estudos neurocientíficos demonstram que áreas como a amígdala, o córtex pré-frontal, o hipocampo e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) estão diretamente associadas ao processamento emocional, à regulação do medo e da ansiedade, bem como às respostas fisiológicas ao estresse.

    A amígdala, por exemplo, atua como um detector de ameaças, ativando reações rápidas e automáticas frente a estímulos, reais ou imaginários. Já o córtex pré-frontal é responsável pela regulação emocional e pelo controle inibitório, modulando a intensidade das respostas emocionais.

    Quando há hiperativação da amígdala ou hipoatividade do córtex pré-frontal, podem surgir respostas emocionais desproporcionais, como ocorre nos transtornos de ansiedade e no transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

    Além da estrutura cerebral, a neurociência tem destacado o papel da neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de modificar-se mediante experiências, aprendizados, ou mesmo diante de eventos adversos, como traumas e estresse crônico. Essa plasticidade pode ser adaptativa, promovendo resiliência, ou desadaptativa, contribuindo para o desenvolvimento de transtornos mentais, como depressão, ansiedade e transtornos de personalidade.

    Pesquisas mostram que fatores como cuidado materno, ambiente social, relacionamentos, estresse e intervenções terapêuticas influenciam diretamente a arquitetura cerebral e a expressão genética por meio de mecanismos epigenéticos.

    A epigenética, nesse contexto, reforça que experiências vividas, especialmente na infância, podem modificar a expressão de genes relacionados ao estresse e às emoções, sem alterar o DNA, influenciando a vulnerabilidade ou a proteção contra transtornos mentais. Isso evidencia que os transtornos não são resultado apenas de predisposições biológicas, mas da interação entre herança genética e ambiente.

    Por fim, a neurociência também contribui para o aprimoramento das intervenções psicológicas e psiquiátricas, demonstrando, por exemplo, como a psicoterapia pode promover mudanças neurobiológicas, estimulando a neuroplasticidade e fortalecendo áreas cerebrais responsáveis pela regulação emocional.

    Assim, a compreensão neurocientífica dos transtornos mentais tem sido essencial para tornar os tratamentos mais eficazes, individuais e baseados em evidências, promovendo uma visão integrada entre mente, cérebro e ambiente.

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    Neurociência e psicoterapia 

    A neurociência tem ampliado significativamente a compreensão sobre os efeitos da psicoterapia no funcionamento cerebral, revelando que intervenções psicológicas não apenas modificam pensamentos e emoções, mas também promovem mudanças estruturais e funcionais no cérebro. Esse fenômeno é explicado pela neuroplasticidade, já que o sistema nervoso reorganiza suas conexões em resposta às intervenções terapêuticas.

    Estudos mostram que abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) são capazes de reduzir a hiperatividade de estruturas associadas ao medo e à ameaça, como a amígdala, e fortalecer regiões responsáveis pelo controle emocional, como o córtex pré-frontal.

    Outros estudos demonstraram que, em pacientes com TEPT, a TCC com exposição imaginada diminuiu a atividade da amígdala e aumentou a do córtex cingulado anterior. Em quadros como TOC e depressão, pesquisas observaram aumento de massa cinzenta e maior ativação do córtex pré-frontal após intervenções psicoterapêuticas, evidenciando efeitos neuroplásticos positivos.

    Técnicas de regulação emocional, psicoeducação e exposição gradual ajudam o cérebro a reinterpretar ameaças, modulando circuitos neurais ligados ao medo, à ruminação e à evitação. Mindfulness, meditação e práticas integrativas também têm mostrado impacto significativo, promovendo maior conectividade entre amígdala e córtex pré-frontal, favorecendo autorregulação emocional, atenção e consciência corporal.

    Além disso, estratégias como respiração diafragmática, grounding e terapias somáticas ativam o sistema nervoso parassimpático, reduzindo a liberação de cortisol e facilitando estados de segurança fisiológica e emocional. Esses recursos ampliam a compreensão do papel do corpo no processo terapêutico.

    Ao integrar os conhecimentos da neurociência à psicoterapia, o profissional fortalece sua prática clínica, compreende melhor os mecanismos do sofrimento psíquico e torna suas intervenções mais personalizadas, eficazes e embasadas cientificamente. Trata-se de um diálogo entre mente, cérebro e experiência, fundamental para promover mudanças profundas e duradouras no cuidado em saúde mental.

    Perguntas frequentes sobre neurociência e saúde mental

    O que é neurociência?

    Neurociência é o campo científico que estuda o sistema nervoso e o cérebro, explicando como estruturas neurais geram pensamentos, emoções, comportamentos, aprendizagem e processos mentais.

    Qual a relação entre neurociência e saúde mental?

    A neurociência e a saúde mental se conectam ao investigar como o funcionamento cerebral influencia emoções, estresse, cognição e comportamento, oferecendo bases biológicas para compreender o sofrimento psíquico.

    Como a neurociência explica os transtornos mentais?

    A neurociência explica os transtornos mentais como resultado de alterações em circuitos neurais, neurotransmissores e mecanismos de regulação emocional, moldados pela interação entre genética, ambiente e experiências de vida.

    A neurociência comprova a eficácia da psicoterapia?

    Sim. Evidências neurocientíficas mostram que a psicoterapia induz mudanças neuroplásticas no cérebro, fortalecendo áreas de controle emocional e reduzindo padrões neurais associados à ansiedade, depressão e estresse.

    O que a neurociência diz sobre as emoções?

    Segundo a neurociência, emoções são processos neurobiológicos regulados por sistemas cerebrais específicos, envolvendo estruturas como amígdala, hipocampo e córtex pré-frontal, que orientam respostas adaptativas ao ambiente.

    Mindfulness tem base científica na neurociência?

    Sim. A neurociência demonstra que mindfulness e meditação modificam a atividade cerebral, melhoram a conectividade neural e favorecem atenção, autorregulação emocional e redução do estresse.

    💡Quer saber mais sobre neurociência e saúde mental? Confira as fontes consultadas para este artigo:


    • Artmed. Neurobiologia da ansiedade: o que todo psicólogo precisa saber. Artmed. Disponível em: https://artmed.com.br/artigos/neurobiologia-da-ansiedade-o-que-todo-psicologo-precisa-saber
    • Artmed. Neuroplasticidade cerebral: fundamentos e aplicações clínicas na psicologia. Disponível em: https://artmed.com.br/artigos/neuroplasticidade-cerebral-fundamentos-e-aplicacoes-clinicas-na-psicologia
    • Balestrin, Julia Laís; Demarco, Taisa Trombetta. Emoções com base na neurociência e a sua ligação com os transtornos de ansiedade: uma contribuição para a área da psicologia. Anuário Pesquisa e Extensão Unoesc Videira, v. 4, p. e23386-e23386, 2019.
    • De Jesus Oliveira, Bruna; Piovesan, Angélica de F.; Sales, Tâmara Regina R. O olhar da epigenética e o papel da neurociência educacional na vida dos portadores de transtornos mentais. In: 9o. ENFOPE, 2016, Aracaju.
    • Freitas-Silva, Luna Rodrigues; Ortega, Francisco. A determinação biológica dos transtornos mentais: uma discussão a partir de teses neurocientíficas recentes. Cadernos de saúde pública, v. 32, p. e00168115, 2016.
    • Winograd, Monah. O sujeito das neurociências. Trabalho, Educação e Saúde, v. 8, p. 521-535, 2010.

    Por Tassiane Valin

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